Rodrigo Santoro se destaca em nova ficção científica brasileira ''O último azul'' que aposta em futuro distópico e reflexão social

O cinema brasileiro volta a ganhar projeção internacional com um novo filme de ficção científica estrelado por Rodrigo Santoro, que tem despertado interesse tanto do público quanto da crítica. Conhecido por transitar com facilidade entre produções nacionais e grandes projetos de Hollywood, o ator assume agora um papel central em uma história que mistura distopia, crítica social e questionamentos profundos sobre o futuro da humanidade.

A produção se passa em um Brasil de futuro próximo, marcado por transformações radicais nas estruturas sociais, políticas e ambientais. Nesse cenário, o envelhecimento da população, o controle do Estado sobre a vida dos cidadãos e a exclusão de grupos considerados “improdutivos” são temas centrais da narrativa. O filme utiliza a ficção científica como ferramenta para provocar reflexão, evitando o espetáculo exagerado e apostando em uma abordagem mais intimista e simbólica.

créditos: netflix

Rodrigo Santoro interpreta um personagem complexo, inserido em um sistema rígido e opressor, no qual decisões individuais passam a ter consequências profundas. Sua atuação é descrita como contida, sensível e carregada de nuances, fugindo do heroísmo tradicional comum ao gênero. Em vez disso, o ator constrói um personagem humano, atravessado por dúvidas, memórias e conflitos morais, o que reforça o tom melancólico e reflexivo da obra.

Visualmente, o filme se distancia da ficção científica futurista repleta de tecnologia chamativa. A direção aposta em paisagens minimalistas, espaços silenciosos e uma fotografia que privilegia tons frios e composições contemplativas. Esse estilo contribui para a sensação de isolamento e estranhamento, criando um futuro que parece próximo, possível e, justamente por isso, inquietante.

Outro ponto que tem chamado atenção é a forma como a narrativa dialoga com questões muito atuais. O longa aborda temas como o descarte social, o valor da vida em uma lógica utilitarista e os limites éticos do progresso. Embora ambientado no futuro, o filme faz comentários claros sobre o presente, convidando o espectador a refletir sobre decisões coletivas que estão sendo tomadas hoje e seus possíveis desdobramentos.

A presença de Rodrigo Santoro também reforça a visibilidade internacional do projeto. Com uma carreira consolidada fora do Brasil, o ator funciona como uma ponte entre o cinema nacional e o mercado global, atraindo olhares para uma produção que foge dos estereótipos frequentemente associados ao audiovisual brasileiro. Sua participação tem sido destacada como um dos grandes trunfos do filme em festivais e mostras de cinema.

A recepção inicial tem sido bastante positiva, especialmente entre críticos que valorizam produções autorais e narrativas mais ousadas. O filme vem sendo elogiado por sua coragem ao abordar temas sensíveis sem recorrer a soluções fáceis ou finais óbvios. A ficção científica aqui não serve apenas como entretenimento, mas como um instrumento de questionamento e desconforto, algo que tem ganhado cada vez mais espaço no cinema contemporâneo.

Nas redes sociais, o público também tem comentado o impacto da obra. Muitos destacam a surpresa ao ver uma produção brasileira explorando o gênero de forma tão madura e sofisticada, enquanto outros ressaltam a força simbólica da história e a atuação de Santoro como um dos pontos mais marcantes do filme.